string(3) "443"
Fórum Lusitano: porque Portugal é mais do que músicas populares

Fórum Lusitano: porque Portugal é mais do que músicas populares

Portugueses Fora da europa EUA Ver mais

O Fórum Lusitano 2022, que decorre este sábado em Washington, capital norte-americana, procura maneiras de promover a herança e a cultura portuguesas além das formas tradicionais já muito utilizadas, como romarias e músicas e danças populares.

Organizado pelo Conselho de Liderança Luso-Americano (PALCUS, na sigla inglesa), o evento – para o qual estão inscritas cerca de 40 pessoas – servirá para discutir o estado atual da comunidade portuguesa nos Estados Unidos da América (EUA) e o trabalho conjunto que pode ser feito para promover e proteger o legado da comunidade luso-americana e o património das origens culturais lusitanas.

Em entrevista à Lusa, Katherine Soares, líder da PALCUS, afirmou que muitas associações portuguesas estão “presas por arames”, uma vez que é crescente o desinteresse dos mais jovens por estas organizações, pelo que o Fórum servirá também para delinear estratégias que combatam esta tendência.

“Durante o Fórum vamos tentar ver quais as ferramentas e técnicas que são necessárias para ajudar as comunidades locais a crescer cada vez mais, nomeadamente associações a nível local e organizações que estão presas por arames, por falta de gente que queira envolver-se a nível voluntário, ou então mesmo pelo desinteresse cada vez maior a nível das segundas e terceiras gerações (de portugueses nos EUA). Ou seja, temos que ver como é que vamos reter os filhos, netos e bisnetos da comunidade para que se mantenham interessados nas suas origens, nas suas raízes”, defendeu. 

A PALCUS, a única organização a nível nacional que representa portugueses e lusodescendentes, aguarda com muita expectativa a divulgação dos censos de 2020, porque acredita que a população portuguesa nos EUA está subdimensionada, pelo que lamenta que até ao momento ainda não tenham saído os resultados do mesmo.

Segundo Katherine Soares, em 2013 havia 1,376 milhões de portugueses ou lusodescendentes nos EUA. Para os censos de 2022, a PALCUS promoveu uma grande campanha denominada “‘Make Portuguese Count'”, em que colaborou diretamente com o gabinete dos Censos para que houvesse um código oficial para quem escrevesse português no boletim.

“Infelizmente, ainda estamos à espera destes dados porque acreditamos que estamos ‘subcontados’ e que devemos ser à volta de 1,4 ou 1,5 milhões, ou até mesmo dois milhões. E até termos números oficiais também não podemos fazer força para termos cada vez mais uma voz e um papel ativo perante as comunidades onde estamos inseridos”, explicou.

Ainda no Fórum Lusitano 2022, a língua portuguesa estará em foco, assim como formas de a promover. A PALCUS tentará perceber o nível de fluência do português entre as comunidades lusitanas, de forma a poder melhorar a sua estratégia de comunicação.

“Vamos falar um pouco sobre as maiores dificuldades que temos na comunidade portuguesa, nomeadamente em manter fluência na língua; o envolvimento das pessoas a nível comunitário, através de associações de organizações; a representação política de luso-americanos a nível local, estadual e até federal”, disse a líder da PALCUS.

“Vamos também falar sobre as formas com que as comunidades se tentam manter, e aí a resposta é quase sempre igual: através de festas, de música, dança, comida…Se bem que a geração mais jovem está agora a promover mais ações ‘fora da caixa, como festivais de arte”, detalhou Katherine.

A PALCUS considera fundamental que as associações se reinventem e modernizem a fim de atraírem e fixarem as novas gerações, o que pode passar por alternativas às tradicionais romarias religiosas que dominam uma boa parte das festividades lusitanas nos EUA.

A parte financeira não ficará de fora deste Fórum, num momento em que as associações e clubes portugueses enfrentam grandes dificuldades a este nível.

“A maior parte das associações estão numa situação complicada por falta de recursos financeiros e é preciso não só estender-lhes a mão, mas estabelecer relações com as pessoas, com os empresários, com possíveis doadores. (…) Queres saber onde as pessoas gostariam de ver mais investimentos, quer em tempo, quer em dinheiro, nas comunidades”, referiu.

“Queremos saber se, por exemplo, querem mais investimentos em programas de língua portuguesa, em ajuntamentos de pessoas que não sejam festas religiosas, se querem mais ajuda, mais apoio e mais informação sobre como montar um negócio para entrarem no mundo empresarial”, declarou à Lusa.

Nesse sentido, o Fórum contará com um especialista que ajudará a comunidade a aprender técnicas de ‘marketing’, redes sociais, entre outros.

A PALCUS quer ainda ser mais ativa no fornecimento de informações sobre os serviços consulares e a rede consular nos EUA, rede essa “que está quase que desmantelada ao nível da qualidade de serviços que presta aos utentes”, segundo Katherine Soares.

Após o Fórum Lusitano, a PALCUS terá em Washington a sua 24.ª Gala Anual de Prémios de Liderança, “onde os premiados são reconhecidos pelas suas realizações pessoais, bem como pela honra que trouxeram à comunidade luso-americana”, segundo a organização.

Este evento, onde são esperadas cerca de 160 pessoas, reunirá também líderes comunitários para compartilharem conhecimento e ideias estratégicas importantes que moldarão a agenda da PALCUS nos próximos anos.

Artigo: bomdia.eu

Fotografia:DR

Últimas Notícias
Conheça o programa dos 106 anos da Batalha de La Lys
3/04/2024
Conselheira das comunidades homenageada na Venezuela
3/04/2024
Associação que promove a língua portuguesa em Munique comemora 30 anos
3/04/2024
Santuário de Fátima na Venezuela e comunidade portuguesa recebem elogios
3/04/2024
Professor português em Manchester explica o “atraso português”
3/04/2024
Canadá: Semana de Portugal vai durar quase dois meses
3/04/2024
Venezuela: tradições portuguesas de Páscoa continuam vivas… mas caras
3/04/2024
Emigrante português lança livro sobre situação política e social em França
3/04/2024