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28 Apr 2022

O luso-americano que ajudou a formar dois craques da NBA (e soma mais de 400 vitórias como treinador)

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Quando, ao início de um dia de trabalho, Anthony Tavares atravessa a porta de entrada do Liceu ‘East Side’, em pleno coração do bairro mais português da América, fá-lo com a satisfação de quem está na sua segunda casa. Afinal, o luso-descendente é um produto nato do Ironbound – onde nasceu há 43 anos, no Hospital St. James, e de onde nunca saiu.

Filho de emigrantes da freguesia portuguesa de Bunheiro, no município da Murtosa (Aveiro), a infância de Tavares aconteceu na Pulaski Street e a escola primária completou-a na Ann Street School. É no Liceu East Side que descobre o basquetebol; em 1996, ao terminar o ensino secundário, transita para a NJIT, para se formar em gestão de empresas e recrutado para jogar a nível universitário. Como o bom filho à casa retorna, em 2000 torna-se professor no ‘East Side’. Quatro anos depois – por decisão do ‘principal’ Mário Santos, passar a chefe da cadeira de Matemática na escola da Van Buren Street. Há cerca de 13 anos, subiu a vice-‘principal’ para a área de agendamento e operações.

“Trabalhei arduamente por cada conquista que fui obtendo aqui no liceu”, garante Anthony Tavares, em entrevista exclusiva ao jornal LUSO-AMERICANO, concedida no seu gabinete. O desporto, à parte a Matemática, tem sido a área onde Anthony Tavares se supera. “Desde 1999 que treino a equipa principal masculina do ‘East Side’, em parceria com o Bryant Garvin”, diz. “É uma parceria de 22 anos, onde aprendemos mutuamente um com o outro.”

Este ano, Tavares chegou à marca dos 600 jogos com a equipa do ‘East Side’, que tem mais de dois mil alunos nas suas salas de aulas; nessas duas décadas, as vitórias vão para além das 420. “Já conquistámos quatro campeonatos do Estado – em 2002, 2013, 2014 e 2019”, nota, com natural orgulho. “ A nível da nossa Divisão, acumulamos 6 conquistas de campeonatos, a nível do condado outras 6 e, no âmbito municipal, onze.”

No palmarés de vitórias e conquistas a nível de todo o estado de New Jersey, soma o título de ‘Treinador do Ano’ nas temporadas 2013/14 e 2018/19 e a entrada – em 2013 – para o Mural da Fama do Desporto na cidade de Newark.

Curiosamente, Anthony Tavares foi mesmo o último luso-descendente na equipa de basquetebol do ‘East Side’. Como bom português que é, este ano começou também a treinar a equipa masculina de futebol do liceu, em parceria com o também luso José Pereira. E, para não destoar, já soma uma vitória importante – tendo recentemente conquistado a 2022 USL Academy Cup, promovida pela ‘PUMA’ e que decorreu de 31 de Março a 3 de Abril em Tampa, na Flórida.

A sua ligação ao futebol comunitário faz-se via Ironbound Soccer Club, onde já treina desde 2011. 

“Adoro o que faço”, reconhece Tavares. “Ver estes jovens crescer e ser parte da sua formação académica e até como seres humanos, poder conviver com os seus encarregados de educação, não há nada melhor que isto.”

O treinador lembra que também há o reverso da medalha – “como escola em ambiente urbano, já perdemos dois dos nosso jogadores para a violência com armas, o que é muito duro. Mas o importante mesmo é vê-los graduar, seguir para a universidade e abraçar as carreiras em que se sentem realizados. E saber que tudo começou aqui, no nosso liceu. Isso é o mais gratificante da minha profissão.”

Com provas dadas de competência, nunca lhe passou pela cabeça deixar o ‘East Side’ e ir para a privada. “Temos trabalhado incansavelmente para manter este liceu como um símbolo de tudo o que de bom tem o Ironbound, e nem sempre foi assim”, afirma. “Sob a liderança do Dr. Mário Santos, nos últimos anos, hoje o ‘East Side’ é um exemplo estadual que aconselho a qualquer pessoa – aliás, é aqui que vou pôr os meus filhos a estudar.”

Tavares aprendeu português com uma explicadora do Ironbound – a D.ª Berta, diz – por insistência dos pais. A sua ligação à terra das origens também se faz pelo desporto: assume-se adepto do Benfica “e adoro a Selecção Nacional. Quando os vejo a cantar o hino, sinto um imenso orgulho em ser português.” É casado com Sónia e pai de dois filhos, Daniel e Ryan.

Do ‘east side’ para a NBA

O trabalho de treinador no ‘East Side’ fez com que tivessem cruzado pelo seu caminho dois jogadores da NBA, a liga profissional norte-americana de basquetebol, reservada aos melhores dos melhores. Um deles, Randy Foye, natural de Newark, fez os estudos secundários no liceu, onde teve Tavares como treinador de basquetebol; ‘New Jersey Player of the Year’, acabou recrutado por Jay Wright para jogar na equipa universitária de Villanova, na Pensilvânia.

No ‘draft’ de 2006 da NBA, ficou em 7.º lugar a nível nacional, recrutado pelos ‘Celtics’ de Boston mas imediatamente trocado pelos ‘Trail Blazers’ de Portland. Actualmente com 38 anos e já afastado da modalidade (“e a viver em Rumson, NJ”, diz Anthony Tavares), Foye passaria ainda pelos ‘Timberwolves’, ‘Washington Wizards’, ‘Los Angeles Clippers’, ‘Utah Jazz’, ‘Denver Nuggets’ e ‘Brooklyn Nets’, onde, em 2017, terminou carreira.

O outro craque da NBA que deu os primeiros toques na bola de basquete com Tavares, é Hassan Niam Whiteside, este ainda no activo, a jogar para os ‘Jazz’ de Utah (o seu mega contrato com os ‘Miami Heat’ de 4 anos chegou aos 98 milhões de dólares…).

Não sendo natural de New Jersey, Whiteside veio de Carolina do Norte para Newark com o pai e frequentou o Liceu ‘East Side’ entre 2006 e 2007, onde depressa se afirmou como basquetebolista –  a marcar uma média de 18 pontos por jogo, 10 ‘rebounds’ e 5,5 ‘blocked shots’.

“O Hassan nunca se esqueceu de ter passado por cá e até nos ajuda financeiramente com o nosso programa de basquetebol”, revela o seu ex-treinador luso-americano Anthony Tavares.

Artigo original: Jornal LUSO-AMERICANO

Créditos foto: Jornal LUSO-AMERICANO

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